quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Primeiro Post.

 Nós somos da turma de Licenciatura em Desenho, de 2010, somos apenas oito alunos até o momento e iniciamos com quatro amais que isso. Nossa turma é a última com esse nome e grade curricular, já que a partir de 2011 ele muda para Licenciatura em Artes Visuais, com disciplinas melhor adaptadas ao que é exigido de um profissional dessa área hoje.
  
Desde o início, quando entramos na “Belas”, já nos deparamos com uma série de coisas “estranhas” no funcionamento, organização e transmissão de conteúdo dessa instituição de ensino. Coisas como nossa turma começar já tão pequena (não entraram outras pessoas, só saiu gente de lá pra cá), os esclarecimentos nem dessa questão e nem de outras relevantes para nós sobre a comunidade da qual estávamos passando a pertencer, nada ou muito pouco nos foi transmitido, também o estabelecimento que teríamos as aulas, alugado, o que nos pareceu “às pressas” não foi visto como o mais apropriado em sua estrutura e aparência. Houve o que continua ocorrendo muito, a grande quantidade de faltas dos professores, uns, bem mais que outros e conteúdos frouxos, por vezes, nem se pode dizer que existiu um conteúdo.
  
Quando comentávamos nossas impressões com algum professor, alguns deles nos levavam a sério, às vezes ficavam do nosso lado ou mostravam espanto com a idéia das situações por nós apontadas, outros, nos diziam “vocês têm que se conformar isso aqui é uma faculdade pública! Não se paga nada para estar aqui, então não se pode reclamar”.

Bem, todos sabem que ser estudante universitário é difícil, só que, no nosso caso, isso não se dá exatamente por causa da dificuldade e sobrecarga de trabalhos e conteúdos, os quais não são exagerados e nem tão difíceis de passar na avaliação do professor. Ser aluno da “Belas” é difícil porque muitos, que mal têm dinheiro para a passagem de ônibus ou para o material pedido ou que trabalham muito mal tendo tempo para realizar os trabalhos, porque esses alunos chegam na porta da faculdade e esperam o professor chegar, até que ele não chega. E é engraçado que os professores que mais faltam são exatamente os que dão as piores aulas. Assim, se espera pela segunda aula, é certo que, às vezes, o professor deixa o aviso, e às vezes o aluno é avisado pela coordenação. Mesmo assim, olha que surpresa esse professor também não vem! Já foi assim por duas ou três semanas seguidas, teve semana que não tivemos nenhuma aula, chegamos a ver até professor fugir da gente para não ter que dar aula. E por essas e outras questões é tão difícil, irrita e ainda ficamos pensando todo dia se é mesmo relevante para nós estar lá ou não.
   Assim, fomos nos adaptando ao modo “Belas”. E, claro, como todo “bom aluno”, não se prefere ir à aula a outros lugares, e isso combinado com ritmo da faculdade, ou seja, aulas mal dadas, mau exemplo de faltas dos professores e, ao que se percebe muitas vezes, desinteresse em transmitir um conhecimento adequado, que vá servir a algo maior, afinal, nós seremos professores! Mas de que tipo? Num momento em que a educação está em crise e é tão urgente suas mudanças de perspectiva. Tanto os por causa dos professores da “Belas”, que possuem grande conhecimento, pelo menos boa parte pelo que se percebe, quanto os alunos talentosos, vê-se grande potencial para fazer alguma diferença, contudo, o que falta é organização e maior interesse nesse assunto.

  Quando nós, alunos já enturmados com o ambiente educativo, desde o tipo mais interessado em ter aulas ao menos interessado, quando paramos um pouco a pensar, esquecendo interesses imediatos ou pensando em si, como “o que eu queria aprender quando me matriculei nessa faculdade?”, então as estranhezas são vistas como enormes absurdos, nossos dias, se tornam revoltantes. Mas, como reclamar? A quem recorrer? Quem daria real atenção aos alunos sem pensar “aluno só reclama e não quer saber de estudar!”?
                                                                                                                                                   
 Além de tudo, poucos se juntam para reivindicar algo, para muitos está boa a situação assim, a faculdade não atrapalha muito no trabalho, dá para descansar muito bem nos vários dias em que se chega e não tem aula.  Outros alunos ainda dão quase nenhuma atenção para todos esses problemas, não pensam que poderia ser muito melhor, talvez acostumados com a realidade não só de dentro da faculdade como fora dela, os problemas não só na educação como também em sistemas de saúde, transporte e vários outros.

 Porém,  nós temos certeza que as faltas da EMBAP conosco são enormes, se têm noção de que em toda sua história a faculdade já passou por vários aprimoramentos, alunos incríveis já passaram por ela, no entanto, o que vemos também é que se matam muitas potencialidades, pois há vários tipos de alunos e nem todos conseguem se desenvolver sozinhos. Claro que não é só na “Belas” que um aluno tem que buscar muito mais por si, mas nela se está muito mais sozinho.
  
O que estamos fazendo é acreditando no potencial da “Belas”, por isso é que, num dia desses, de revolta contra as injustiças sentidas, resolvemos criar um blog, não só para expor as coisas ruins que acontecem nessa faculdade voltada às artes, mas também as coisas boas, como os bom professores, os ótimos e talentosos colegas, as exposições de arte e as apresentações de música que sempre nos proporcionam alegrias e expandem nosso saber. Têm-se o intuito também de deixar um registro de tudo isso, já que não temos muitas vezes certeza se reclamar na coordenação ou conversar diretamente com o professor é a melhor resolução. O blog seria algo que todos poderiam ter acesso, os outros cursos, por exemplo, para saber se eles passam por situações parecidas, para os que desejam entrar na EMBAP e querem ter uma idéia de como funciona do ponto de vista dos alunos e também para aqueles que acabaram de entrar e estão estranhando tudo isso.